23 de mai de 2008

estive pensando.pensei a vida inteira. e não é por isso que os neurônios morrem, de cansaço?
-me ensinou tudo o que sei hoje, me fez quem eu sou. e tudo o que sou, sou por ele.-você é doente?-você é médica?
muito tempo se passava, enquanto estiveram sentadas, pensativas, em suas cadeiras brancas, muito limpas, quase vazias.-eu sou doente?-sou então, uma doutora?-pode cuidar de mim?-quer ser tratado?
mais algumas horas se foram.-a filosofia cura?-se sente melhor agora?-não sei.-então também não responderei sua pergunta.
dormiram juntos naquela noite.-acordou bem?-sim, acho que fui curado.-como pode dizer isso?-realmente, sua medicina é perfeita. minha filosofia está a atrapalhar-lhe a rotina. preciso voltar para ela.-percebo.
ele abriu a porta e foi embora, pensando que cada pessoa é inesquecível e necessária em algum momento, a seu jeito.assim como a medicina perfeita de outra, lá estava em casa, quem lhe curaria toda a doença.como se fosse mágica, por meio de um beijo.
"sorriu a vida inteira com ela."
como se nasce um tesouro?
pegue algo valioso e guarde.faça deste, seu segredo.só seu. só seu, para sempre.esqueça-o, abandone-o.
talvez um dia, você volte a resgata-lo.talvez alguém o encontre, e cuide melhor do que você seria capaz.
tesouros não têm donos.mas os que julgam sê-lo, podem assombrar quem, por assim dizer, tomar o que lhes pertence.
algumas palavras são despejadas, de repente um susto, (é claro, todo susto acontece de repente, se não, não seria um susto) algumas palavras são despejadas de repente, e se transformam em sustos.
você fingiu esse tempo todo, que não viu, que não ouviu.me deixa chuvosa.tudo o que foi escondido, todos os momentos guardados, segredos só nossos.aquele sol, aquela arvore, os mesmos nomes, as mesmas trapaças.quem você deixou para trás hoje? quem estará por aí, amanhã?
me deixam chuvosa. me deixaram sorrindo, por um dia inteiro.mas o sorriso é só meu, ninguém pode vê-lo.e agora eu chovo em cima de você.estou chovendo e ventando, é meio que um abraço.você não sente?
-não!-sim!-errou.-acertei, ganhei.
dela foi a palavra final, e o susto o calou.de repente, a chuva parou.